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Scorcese: os Lobos e os bobos

Martin Scorcese é mais do que um diretor, virou uma grife. “Você viu o último Scorsese? Isto significa muita coisa, inclusive um cartão verde para apreciarmos cinema de péssima qualidade, uma faceta que o homem recentemente resolveu nos oferecer. O lado bom é que aqueles cidadãos que tem uma incapacidade inata de reconhecer um bom filme ou discernir um pastiche de uma obra-prima podem dizer que viram – e recomendam – determinado filme do diretor.  Ok, desculpe-me se você viu um filme novo do diretor e se sentiu ofendido. Na realidade, é impossível não se irritar com o oba-oba que fazem a respeito do nome do diretor e um filme que mobilizou muitas rodas de chopp recentemente. Refiro-me particularmente a este aqui, da foto do lado. Vi “O lobo de Wall Street” e posso dizer gostei muito mais do último filme dos X-men. Ação por ação acho que a dos mutantes é mais honesta. O que um tem a ver com o outro* Ora, dois filmes para sentar na cadeira e se esquecer dos chatos diários, de preferenci…
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Anvil no Teatro Odisseia

O show foi no ano passado, já passaram meses, mas mesmo assim... não dá pra passar em branco...Teatro Odisseia: Anvil! Certamente reconheci muitas músicas, mas não todas. Afinal, são uns 15 Cds que os caras carregam nas costas. E eu não ouvi todos (embora tenha alguns). Estavam lá as muitas faixas esperadas: Metal on metal, 666, Forged on fire, School Love, Mothra, This is thirteen,  e tantas. Sucessos, clássicos... e daí? Isto várias bandas têm. Mas não foi por isso que o show do Anvil foi uma experiência transcendental. É simples: uma banda de metal com bom humor, cheia de jogo de cintura. O eterno Lips esmerilha sua guitarra com um sorriso debochado no rosto, fazendo caras e bocas, bangeando, sempre interagindo com a plateia em um clima de curtição.  Isto não é pose. Não é encenação. Veja: era este o espirito que saía da guitarra de Chuck Berry, do piano de Little Richard. É uma alegria quase obscena. Quantas bandas têm isso, esta jovialidade? Parece mais fácil fingir odiamos tudo…

Resenha: Whole Lotta Led Zeppelin

Robert Plant, o inglês em turnê pelo Brasil, certamente não vai tentar atingir patamares agudos de outrora. Tendo consciência de seus limites (de um homem de mais de 60 anos), ele é motivado por fazer sua música de maneira que ainda tenha alguma relevância na cultura de hoje em dia, fugindo das conquistas ou modismos de priscas eras. Robert Plant canta rock, blues, folk ou bluesgrass sem se tornar uma imitação de si mesmo (vide o cd "Raising sand", gravado em parceria com Alison Krauss). Ou seja, é um artista que entende sua própria grandiosidade.

Posto isso, é louvável fazer uma referência ao seu passado Ledzeppeliano.Uma boa pedida é ler(e ver) as páginas de "Whole Lotta Led Zeppelin", de Jon Bream, lançado pela Agir. É um calhamaço rico em imagens e que compila a história da banda, tendo como base cronológica a discografia do quarteto. Isso sem perder de foco um debruçar sobre as influências e experiências que moldaram as personalidades do Robert Plant, Jimmy…
Protesto contra as comemorações do golpe de 64:

“Não houve ação de manifestantes que justificasse a forma violenta como a polícia agiu”, diz jornalista. 
                                          Ilustração por Ricardo Caulfield



A ditadura militar acabou, mas os estilhaços ainda podem atingir alguém. Em alguns casos, literalmente, como o da jornalista Maria Cristina Martins e de outras pessoas que estiveram na manifestação realizada no dia 29 de março na Cinelândia, no Rio, em frente ao Clube Militar. Elas protestavam contra a comemoração do aniversário do golpe de 64, que ocorria nas dependências do Clube. A polícia, claro, desceu o cacete. A jornalista Maria Cristina Martins conversou comigo sobre o episódio.

 Ricardo Caulfield: Como você soube que haveria uma festa no Clube Militar reverenciando o golpe?

 Maria Cristina Martins: Eu soube por uma convocação que o cineasta Sílvio Tendler estava fazendo pela internet. Vi também amigos comentando e chamando para o ato pelo facebook.

R.…

A estratégia das pulseirinhas vip

Hoje estou um pouco voltado para o sobrenatural, porque estou percebendo várias mensagens que, não encontrando vozes adequadas em algum interlocutor, se agarram aos eventos, na esperança de serem decifradas. Ou talvez seja minha homenagem involuntária ao personagem “Sobrenatural de Almeida”, cria do ilustre tricolor Nelson Rodrigues, que comemoraria 100 anos em agosto se vivo estivesse. Então vamos à libertadores e todos os seus preparativos. Fluminense venceu o Zamora, da Venezuela, em um jogo estranho. Não passou pelo canal aberto e também foi difícil de encontrar nos pacotes de TV paga. Só para quem tinha um determinado canal de “Sports”. O problema é que imaginei que fosse acompanhar pela Net, como fiz na estréia do time, e dessa vez quebrei a cara. A mensagem? Vá ao Engenhão. Posto isto, o time dominou, mas não jogou bem. O técnico chegou a escalar 3 atacantes, mas quem marcou foi o zagueiro Anderson. Havia vários jogadores sem brilhar em campo, inclusive Deco, que, ao ser sub…

Flu e Boca: momento feliz

É fácil comentar quando as coisas não vão bem. Acredito que a raiva ou revolta são muito mais instigantes do que a satisfação. Então quando o Flu venceu o Arsenal sem apresentar bom futebol, eu logo escrevi e postei aqui na página. As pessoas muitas vezes se equivocam quando pensam que só o título interessa. Ora, veja bem, o Flu venceu o Boca em plena Bombonera. Isto será inesquecível, em que pese agora os comentários de que o time argentino já não é lá mais aquelas coisas. Se perdêssemos, iriam dizer: “era previsível”. E se ganhamos foi porque o time deles é fraco? Não sei se o comentarista Junior , da Globo, seria tão reticente em relação à qualidade do atual elenco do Boca Jrs se o vitorioso fosse o Flamengo. Aliás, o que será que ele achou da vitória do Fla sobre o Santos, por 5 a 4 no primeiro turno, durante o brasileiro do ano passado? Será que ele achou que o Santos não estava comprometido realmente com o Brasileirão, mas com o Mundial que viria a jogar? É só para saber s…

Um divã libertário

Preconceito é mesmo um atraso de vida. Se soubesse que o filme “O divã”, baseado no livro de Martha Medeiros, era tão bom, teria visto no cinema e não no DVD. Eu não li o livro, mas, conferindo o elenco, pensei se tratar de mais uma daquelas produções com cara de mini-série de TV que passa depois da novela. Contudo, o filme consegue ser específico, singular na sua proposta. Cinema é criar um clima, transportar o espectador para um dimensão diferente, onde ele permaneça imerso durante os minutos da projeção. É uma questão de timing. “O divã” consegue isso plenamente. E mesmo quem ache difícil que atores famosos consigam exercer um papel sem que o público os dissocie de suas personas televisivas, vai ter que dar o braço a torcer: Lilian Cabral, José Mayer e todos os outros parecem gente como a gente. Ou os nossos vizinhos. E uma grande qualidade: a trama reflete a mulher e seu momento na sociedade, suas questões. Não é daquelas produções baseadas em histórias que foram escritas há…